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Sexta-feira, 20 de Julho de 2007

Velhos são os trapos!!!

O velho Bombeiro permanecia no seu local de serviço, no quartel momentaneamente vazio, enquanto todo o Corpo de Bombeiros estava ausente num incêndio para o qual deslocaram todo o material disponível.
Enquanto lia o jornal, a sua mente voava por outras paragens e outros tempos.
Tempos em que, na plena posse das suas faculdades, enfrentava o fogo com toda a valentia, dominando as chamas a jactos de água, regressando ao seu quartel com a cara mascarrada mas sorridente de orgulho.
Tempos em que conduzia os auto-tanques a velocidades alucinantes pelas ruas da cidade, fazendo soar uma angustiante sirene.
Hoje, com cicatrizes marcadas a fogo no seu peito, via outros bombeiros acorrer com respeito, mas muito melhor equipados, às mesmas chamas que ele em tempos apagava com os meios rudimentares de que então dispunha.
Outros tempos, pensava...
De repente...
O pressentimento... um sexto sentido que, inconscientemente, o levou a levantar-se daquela secretária e assomar à porta do quartel.
Havia um incêndio na vizinhança. Um incêndio localizado, é certo, mas que destruiria tudo em pouco tempo se ninguém lhe deitasse a mão.
Olhou para dentro do quartel. Não havia meios disponíveis, a não ser um velho auto-tanque que ele gostava de manter limpo e funcional, não só pelo valor sentimental que para ele representava mas também porque lhe permitia matar algum tempo mergulhado nessa nostalgia.
Encheu o tanque de água, vestiu um fato anti-fogo e acorreu ao incêndio.
De repente, sentiu-se outro... A pé firme, o nosso homem manteve a mangueira apontada à base das chamas sem que um só músculo vacilasse.
Sentiu de novo aquela adrenalina própria dos momentos de risco. Os seus olhos brilharam de excitação. O seu peito arfava de gozo por enfrentar o perigo.
E o sorriso ... aquele sorriso de vitória, primeiro, e orgulho, depois, assomou à sua cara enrugada mas de feições firmes.
Dominadas as chamas e feitos os trabalhos de rescaldo, tornou de regresso ao quartel ainda vazio, onde entrou com o mesmo sorriso que antigamente iluminava a sua cara.
Arrumou o velho auto tanque no seu canto escuro... e deu uma pequena palmada no "capot", como se acariciasse um nobre cavalo.
Surpreendido, ouviu dois ou três ligeiros estalitos no motor... como se o velho auto tanque agradecesse ter voltado à actividade, nem que fosse por poucas horas...
Com o seu sorriso de orgulho de orelha a orelha, o velho bombeiro retornou à sua secretária e continuou a ler o seu jornal.

Estava vivo. E tinha cumprido o seu dever, uma vez mais.

publicado por bombeirodedeus às 00:13

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